sábado, 19 de dezembro de 2020

 As drogas antineoplásicas proporcionam aumento da sobrevida dos portadores de neoplasias, mas podem induzir efeitos adversos em vários órgãos e tecidos. A mucosite é efeito adverso freqüentemente observado durante a administração de certos quimioterápicos. A toxicidade ocular dessas drogas pode se manifestar por alterações da superfície ocular e do filme lacrimal. O objetivo foi avaliar alterações da superfície ocular induzidas pelos quimioterápicos e estabelecer sua correlação clínica com mucosite e quimioterapia. Trinta e nove pacientes foram submetidos a exame oftalmológico completo, citologia de impressão e estudo microbiológico da conjuntiva. Comparamos 2 grupos: com manifestação de mucosite (caso) e sem manifestação de mucosite (controle). Para análise estatística, utilizamos o software Statistical Package for Social Sciences. A mucosite foi identificada em 51,4% dos pacientes avaliados após a quimioterapia. O tempo de quebra do filme lacrimal mostrou redução significativa após a quimioterapia (p<0,0001), acompanhado por epiteliopatia puntata (78,4%). O teste de Schirmer não apresentou alterações estatisticamente significativas considerando o pré x pós-quimioterapia. A quimioterapia é capaz de induzir alterações no filme lacrimal. A mucosite induzida pela quimioterapia compromete também a mucosa conjuntival, caracterizada subjetivamente pelos sintomas oculares relatados pelos pacientes e comprovada laboratorialmente em nosso estudo.

Descritores: Quimioterapia/efeitos adversos; Mucosite/induzida quimicamente; Neoplasias/quimioterapia; Conjuntiva/citologia

 

FESTAS DE FINAL DE ANO PARA PACIENTES COM CÂNCER

Final de ano é período de festas, comemorações entre família, amigos, colegas de trabalho etc. Para pessoas em tratamento contra o câncer, pode ser uma época difícil, em virtude do momento delicado pelo qual estão passando. Contudo, não há qualquer impedimento para que essas pessoas celebrem. São necessários, apenas, alguns cuidados em relação ao tratamento, à alimentação e eventuais excessos.

COMO FICA O TRATAMENTO DURANTE O PERÍODO DE FESTAS.

O fundamental é que o paciente jamais interrompa o tratamento sem orientação médica. Por isso, converse com seu médico para verificar se é possível fazer uma viagem, por exemplo. A medicação deve ser mantida de acordo com a orientação. Qualquer mudança pode acarretar problemas no tratamento.


DICAS DE ALIMENTAÇÃO DURANTE AS FESTAS DE FINAL DE ANO.

Segundo especialistas, não há proibições quanto à alimentação. A recomendação é evitar excessos e alimentos gordurosos. Isto porque eles podem potencializar efeitos indesejados da quimioterapia, como náuseas, enjoos e diarreia. Confira algumas dicas para as refeições nos jantares e confraternizações:

  • Escolha carnes magras como frango ou peru (sem pele) ou lombo suíno. Dê preferência aos pratos grelhados ou assados;
  • Evite os embutidos, como linguiça, bacon e presunto. Estes alimentos podem causar mal-estar;
  • Comece a refeição com saladas coloridas e opte por alimentos mais saudáveis como verduras e legumes;
  • Em relação ao que beber, dê preferência a sucos naturais ao invés de refrigerantes. O consumo de bebidas alcoólicas não é indicado, pois pode piorar as lesões na boca e dificultar a cicatrização, além de provocar efeitos colaterais como náuseas;
  • Para a sobremesa, dê preferência às frutas, ricas em vitaminas e que ajudam a manter o corpo hidratado.

ATIVIDADES NO PERÍODO DE FESTAS DE FINAL DE ANO.

Este período é uma época de grande alegria, já que proporciona a reunião de amigos queridos. Isto pode contribuir significativamente para o bem-estar do paciente, pois permite que ele se sinta pertencente ao grupo, mesmo enfrentando a enfermidade. Claro que o mais importante é que a pessoa respeite seu momento físico e emocional. Quem enfrenta um tratamento oncológico não precisa – nem deve – comparecer a todas as festas. Apenas àquelas em que o paciente se sinta bem, acolhido pelos demais.

 

Respeitando os limites do seu corpo e desfrutando dos alimentos e atividades das festas de fim de ano com equilíbrio, é possível se divertir, sim. Aproveite o clima de esperança desta época para buscar seu bem-estar. Saúde e boas festas!

 

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Fertilidade e reprodução em sobreviventes de câncer de mama

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 18/12/2020 - Data de atualização: 18/12/2020


Um estudo recente da Suécia, publicado na JAMA Oncology, investigou os resultados de longo prazo da preservação da fertilidade entre mulheres sobreviventes de câncer de mama em idade reprodutiva, descobrindo que elas eram mais propensas a ter um filho vivo se submetessem a preservação da fertilidade e utilizassem tecnologia de reprodução assistida. Foi um estudo de coorte nacional que investigou o resultado primário de hazard ratio (HRs) para nascidos vivos e tecnologia de reprodução assistida entre 425 mulheres com câncer de mama expostas a preservação da fertilidade e 850 controles compatíveis que não foram, para uma proporção de 1:2, respectivamente. O grupo exposto foi submetido a preservação da fertilidade em 1 dos 7 hospitais universitários suecos entre 1 de janeiro de 1994 e 30 de junho de 2017.

A investigação descobriu que mais mulheres no grupo exposto tinham menor paridade em comparação com o grupo não exposto: 71,1% vs 20,1%. Essas mulheres também eram mais jovens, com uma idade média (DP) de 32,1 (4,0) vs 33,3 (3,6) anos para o grupo não exposto; teve uma taxa maior de tumores positivos para receptor de estrogênio, para 68,0% vs 60,6%; e tinham esquemas de tratamento que incluíam mais tratamentos de quimioterapia, 93,9% vs 87,7%.

Os resultados indicam que, embora a gravidez bem-sucedida após o câncer de mama seja possível tanto em mulheres com e sem preservação da fertilidade, a preservação da fertilidade está associada a taxas significativamente mais altas de nascidos vivos pós-câncer de mama e uso de tratamentos [tecnologia de reprodução assistida], sem qualquer prejuízo associação com a sobrevivência por todas as causas durante um seguimento médio de 5,2 anos, concluíram os autores. “Essas descobertas aumentam o conhecimento atual sobre os tratamentos de preservação da fertilidade em mulheres com câncer de mama”.

A criopreservação de oócitos e embriões após a estimulação ovariana controlada é a estratégia padrão para preservação da fertilidade em mulheres adultas.

A quimioterapia pode causar toxicidade ovariana e infertilidade. Pacientes com câncer geralmente ficam sobrecarregados e se concentram exclusivamente no diagnóstico de câncer e podem não prestar atenção às questões relacionadas à fertilidade. Examinamos a taxa de amenorreia e aconselhamento sobre fertilidade entre esses pacientes jovens. Mulheres na pré-menopausa com câncer de mama em estágio inicial tratadas com quimioterapia adjuvante ou neoadjuvante foram recrutadas. Amenorreia foi definida como ausência de menstruação por ≥ 12 meses após o término da quimioterapia. Um total de 94 pacientes preencheram os critérios de elegibilidade e foram incluídos nesta análise. A idade mediana no diagnóstico foi de 35,7 (variação, 22-44) anos. Setenta e nove (85,9%) entrevistados foram aconselhados sobre amenorreia e 37 (40,2%) estavam pensando em ter filhos. A adição de taxanos à quimioterapia baseada em antraciclina, aumentou o risco de amenorreia. No entanto, a duração mais curta da quimioterapia, mesmo com taxanos, pode diminuir esse risco. Nosso estudo destaca a importância do aconselhamento sobre fertilidade para melhorar as taxas de preservação da fertilidade. Dada a importância dos taxanos, regimes mais curtos estão associados a taxas de amenorreia mais baixas e devem ser preferidos aos mais longos.

Os regimes padrão de quimioterapia adjuvante para câncer de mama agora incluem antraciclinas e taxanos. Esses avanços terapêuticos melhoraram significativamente o prognóstico dessas jovens que podem mais tarde desejar ser mães e ter filhos biológicos. O impacto da quimioterapia na função reprodutiva deve ser avaliado com precisão e a reserva ovariana deve ser levada em consideração. O risco estimado de amenorreia induzida por quimio e infertilidade deve ser balanceado com os resultados esperados e riscos dos métodos de preservação da fertilidade.

O local das diferentes opções de preservação da fertilidade depende da idade da paciente, da presença ou não de companheiro e do tempo disponível antes do início do tratamento. Para essas pacientes com câncer de mama que receberão quimioterapia, novas técnicas de maturação oocitária in vitro parecem promissoras. Mesmo que algumas questões éticas e técnicas não sejam resolvidas, a preservação da fertilidade agora deve fazer parte do manejo dessas jovens pacientes que recebem quimioterapia adjuvante para câncer de mama. Essa nova abordagem deve ser multidisciplinar.

Opções de preservação da fertilidade disponíveis
Atualmente, a criopreservação de oócitos ou embriões são as principais opções. A avaliação da reserva ovariana deve orientar o médico no aconselhamento de pacientes com câncer sobre o sucesso esperado com as técnicas de preservação da fertilidade. Atualmente, a idade da mulher é o preditor mais importante para o sucesso com técnicas reprodutivas artificiais, com taxas de gravidez diminuindo com o avanço da idade. Outras formas de avaliação da reserva ovariana, como o hormônio folículo estimulante da fase folicular precoce, o hormônio antimulleriano e a contagem de folículos antrais, são preditivas do número de oócitos recuperados com estimulação ovariana e estão associadas às taxas de gravidez.

As técnicas disponíveis para preservação da fertilidade incluem supressão ovariana, criopreservação de oócitos e embriões, recuperação de oócitos imaturos, maturação in vitro e criopreservação do tecido ovariano. No momento, a principal opção para preservação da fertilidade é a criopreservação de oócitos ou embriões. Foi considerada padrão pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva em 2013. Como a técnica requer hiperestimulação ovariana, ela deve ser considerada no momento do diagnóstico, antes do início do tratamento sistêmico.

As diretrizes das sociedades médicas afirmam que não há evidências conclusivas de que os análogos do GnRH sejam realmente eficazes na proteção da função ovariana de agentes quimioterápicos. É importante ressaltar que o possível efeito do GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) na proteção da reserva ovariana só pode ser avaliado após o término da quimioterapia.

 

Pacientes com câncer são grupo de risco para o coronavírus?

  • Equipe Oncoguia
  • - Data de cadastro: 19/03/2020 - Data de atualização: 19/03/2020


A pandemia relacionada ao coronavírus (COVID-19) vem causando grande preocupação em função da rápida disseminação da infecção e da gravidade observada, especialmente entre pessoas com saúde fragilizada pela idade avançada ou por ter outras doenças, como o câncer.

“Pacientes oncológicos costumam ter uma queda na imunidade após uma cirurgia ou, ainda, por conta de tratamentos, como quimioterapia, cortisona, transfusões de sangue e radioterapia. Por isso, ficam mais vulneráveis no caso de uma infecção pelo coronavírus e podem ter uma evolução mais agressiva da doente”, explica a Dra. Clarissa Mathias, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

Entre os pacientes oncológicos, há risco maior para aqueles com cânceres no sangue (como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo), que passaram por transplante de medula óssea ou que estão em tratamento com quimioterapia. Porém, adotando as medidas preventivas, reduzimos bastante os riscos associados à pandemia.

“O momento é de atenção e de nos unirmos aos esforços preventivos de tantas outras instituições no Brasil e no mundo para conter o avanço do coronavírus e suas potenciais complicações ao sistema de saúde. A SBOC reforça seu compromisso em apoiar pacientes e oncologistas, estimulando os melhores cuidados possíveis nesse momento sensível e evitando interrupções no tratamento”, afirma a Dra. Clarissa.

Diante do crescimento exponencial dos casos de COVID-19 na população brasileira e com base nas informações disponibilizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo Ministério da Saúde e pela comunidade científica, a SBOC reuniu medidas preventivas para apoiar pacientes e oncologistas:

Aos pacientes com câncer:

  • Não interromper seus tratamentos oncológicos;
  • Evitar contato físico, como cumprimentar com beijos e abraços;
  • Evitar contato com qualquer pessoa que tenha sintomas gripais, que esteja em investigação para possível infecção pelo COVID-19 ou que estejam chegando do exterior, com ou sem sintomas gripais;
  • Caso apresente sintomas como, febre, coriza, tosse seca, falta de ar, contate seu médico;
  • Permaneça somente o tempo necessário em ambiente hospitalar e evite contato físico direto, mesmo com o seu médico e a equipe de saúde;
  • Pacientes que vão a um centro de tratamento oncológico devem ir acompanhados de apenas uma pessoa, e este acompanhante não pode apresentar nenhum sintoma de gripe;
  • Visitas hospitalares devem se restringir àquelas estritamente necessárias.

A familiares e população de forma geral:

  • Manter a higiene das mãos, lavando-as com sabonete por pelo menos 40-60 segundos ou higienizando-as com álcool em gel 70% por 20-30 segundos, diversas vezes ao dia;
  • Cobrir com o antebraço o nariz e boca ao tossir ou espirrar;
  • Evitar ambientes fechados, como academias e shopping centers, e principalmente aglomerações. Eventos com grande público estão sendo cancelados e desencorajados em todo o mundo;
  • Só tem indicação de realizar o exame para diagnostico de COVID-19, neste momento, quem apresentar sintomas suspeitos, tiver entrado em contato com caso suspeito ou confirmado e tiver sintomas e histórico de viagem ao exterior nos últimos 14 dias;
  • Parentes ou pessoas próximas de pacientes com câncer devem evitar contato com eles caso apresentem qualquer sintoma suspeito de gripe ou contato com terceiros que tenham sintomas ou infecção confirmada.

Medidas adotadas sem orientação médica, como uso indiscriminado de vitaminas C e D, e outras modalidades não comprovadas, além de ineficazes, podem trazer risco severo à saúde. “É preciso passar por esse período crítico com atenção às evidências científicas e respeito às orientações das sociedades médicas e dos profissionais de saúde”, reforça a Dra. Clarissa.

O site da SBOC está atualizado frequentemente com as principais informações sobre o coronavírus, acesse: sboc.org.br

SOBRE A SBOC - SOCIEDADE BRASILEIRA DE ONCOLOGIA CLÍNICA

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) é a entidade nacional que representa mais de 1,9 mil especialistas em oncologia clínica distribuídos pelos 26 Estados brasileiros e o Distrito Federal. Fundada em 1981, a SBOC tem como objetivo fortalecer a prática médica da Oncologia Clínica no Brasil, de modo a contribuir afirmativamente para a saúde da população brasileira. É presidida pela médica oncologista Clarissa Mathias, eleita para a gestão do biênio 2019/2021.

 Você sabia que nem todos os Canceres são considerados Grupo de risco:

A grande maioria dos pacientes que tiveram diagnóstico de câncer, ou até mesmo alguns que têm, eles não fazem parte do grupo de risco”, disse o especialista. Maluf afirmou que o primeiro grupo de risco são pacientes com neoplasias ou tumores hematológicos, como linfomas, leucemias e mielomas